Problema crônico não escolhe setor.
Onde existe processo e indicador, o WCM resolve — desperdício na produção, parada de máquina, retrabalho, atraso de entrega, fila, glosa. Veja o mesmo método aplicado em setores diferentes, cada projeto com seu Major Kaizen fechado.
Redução do Sobrepeso de Envase (Giveaway) na Linha de Biscoitos 02
Produção — Envase de Biscoitos · Jul/2026 – Dez/2026 · Pilar FI — Focused Improvement · Major Kaizen
Planejar
A Matriz C revelou R$ 1,4 milhão/ano saindo de graça dentro dos pacotes — e o 5G desmontou a explicação fácil: não era a 'massa do dia', eram 4 bicos desgastados e um setup defasado.
A linha 02 envasa 420 t/mês e cada pacote saía com 3,4% de peso a mais que o declarado. A Matriz A da Produção mapeou o giveaway como perda de material; a Matriz C valorizou: 14,3 t/mês de graça = R$ 117 mil/mês = R$ 1,4 milhão/ano — a maior perda da área, invisível no dia a dia porque ninguém 'via' o excesso sair. A estratificação concentrou o alvo nos bicos 5 a 8 e nas primeiras horas pós-troca (picos de 4,9%); a Matriz D indicou Major Kaizen no pilar FI e a Matriz E fechou B/C estimado de 13. No Genba, a folha de verificação registrou 214 ajustes manuais de dosagem em 4 semanas e os testes de hipótese descartaram balança e densidade — comprovando vedações desgastadas e padrão de setup anterior à balança automática.
P1 Qual perda este projeto ataca — e onde ela aparece no mapa de perdas da área? (Matriz A)
A perda atacada é o sobrepeso de envase (giveaway) da linha 02: biscoito real saindo além do peso declarado, perda de material pura na Matriz A da Produção. Baseline de 18 meses em 3,4% com picos de 4,9% — a maior perda mapeada da área, crônica desde jan/2025.
P2 Quanto essa perda custa por ano? (Matriz C — valorização)
Matriz C com memória de cálculo validada pela Controladoria: 3,4% sobre 420 t/mês = 14,3 t/mês de produto entregue de graça × custo do biscoito pronto ≈ R$ 117 mil/mês → R$ 1,4 milhão/ano. A régua é o sobrepeso percentual apurado pela balança automática que pesa 100% dos pacotes — a mesma que valida o ganho na Matriz F.
P3 A perda é causal ou resultante? De onde ela vem — ou o que ela gera? (Matriz B)
Na Matriz B o giveaway é perda resultante: deriva de duas causais — degradação de componente (vedações dos bicos, território da manutenção) e método de setup defasado (alvo de peso alto 'por segurança'). Por isso o projeto ancora no FI com interfaces declaradas com PM (plano de manutenção dos bicos) e QC (conformidade do peso declarado — zero subpeso é restrição inegociável).
P4 Onde, quando e como a perda se concentra? (estratificação + Pareto)
Estratifiquei 4 semanas de dados da balança por bico, turno, produto e momento: o problema não era espalhado — bicos 5 a 8 e primeiras horas pós-troca concentravam o excesso, com picos de 4,9% em qualquer turno. O Pareto dos 214 ajustes manuais registrados na folha de verificação fechou o alvo: deriva dos bicos 5–8 e instabilidade pós-troca somam 70,1% das ocorrências.
P5 Que método a perda pede: Quick, Standard, Major ou Advanced Kaizen? (Matriz D)
Matriz D: perda crônica de material, multicausal (equipamento + método), pedindo equipe multifuncional e 7 passos — Major Kaizen ancorado no FI. Não é Quick (a causa não era evidente: a explicação corrente na fábrica era 'massa do dia', e estava errada) nem Advanced (a medição direta resolve, sem modelagem estatística).
P6 Qual o B/C estimado do projeto — e por que ele vence os concorrentes? (Matriz E)
Matriz E: benefício estimado de R$ 830 mil/ano (recuperar ~60% do giveaway) ÷ custo estimado de R$ 60 mil (R$ 25 mil de orçamento + horas da equipe) = B/C 13,8 — 1º da carteira da Produção, à frente da redução de filme plástico (B/C 5,2) e da troca rápida da embaladora (B/C 4,1).
P7 Qual é o tema e a meta do projeto? (objetivo + valor + prazo, na régua da perda)
Tema: reduzir o sobrepeso médio da linha 02 de 3,4% para 1,4% (−59%) até 11/12/2026, com zero subpeso e produtividade mantida. KPI: sobrepeso % (balança automática) e kg de giveaway/mês. KAI: % de setups no novo padrão e nº de ajustes manuais de dosagem por semana — se os KAIs andam, o KPI vem atrás.
P8 Qual é o pilar âncora do projeto — e quais as interfaces com outros pilares?
Pilar âncora: Focused Improvement — o projeto exercita o ataque à perda priorizada pelo CD com kaizen estratificado, folha de verificação no Genba e gestão por B/C. Interfaces: PM (a troca das vedações entra no plano de manutenção preventiva — o furo que deixou a causa nascer) e QC (carta de controle por bico garantindo o peso declarado).
P9 Quem participa do projeto — papéis, patrocinador e cronograma por fases?
Líder: supervisora de envase. Equipe do Major Kaizen: 1 mecânico da manutenção, 1 operador líder de envase, 1 analista da qualidade e o coordenador de PCP. Patrocinador: gerente de Produção, dono do pilar FI na unidade, com R$ 25 mil aprovados. Cronograma: P até 05/10, D (piloto turnos 1 e 2) até 14/11, C até 28/11, A até 12/12 — revisão semanal no quadro do pilar.
P10 O que o 5G revelou no Genba que os dados não mostravam?
O 5G foi decisivo: acompanhamos setups e registros da balança no momento em que aconteciam, implantamos folha de verificação de ajustes manuais (214 ocorrências em 4 semanas, com motivo, bico e horário) e fotografamos o estado das vedações e o quadro de setup. O que os dados agregados não mostravam: cada operador ajustava a dosagem 'no olho' por critério próprio, e o alvo de peso oficial era alto 'por segurança' — herança de antes da balança automática.
P11 Quais causas foram levantadas (4M/Ishikawa) — e como cada hipótese foi testada com dados?
O 4M levantou as hipóteses e cada uma foi testada: Máquina — desgaste das vedações dos bicos 5–8: confirmada (inspeção de 22/09 achou desgaste severo e retardo medido de 0,3 s no fechamento das válvulas); Método — setup sem ajuste fino e alvo defasado: confirmada (214 ajustes manuais concentrados pós-troca). Descartadas com dados: balança descalibrada (aferição: só 7,5% das ocorrências) e densidade do biscoito entre lotes (o excesso continuava nos mesmos 4 bicos em lotes de densidades diferentes — 13,1%, fica pro próximo ciclo).
P12 Qual é a causa raiz comprovada — e qual a evidência final? (5 porquês ou PPA)
Causa raiz 1 (5 porquês): pacote pesado → válvula fecha com retardo → vedação desgastada → componente fora do plano de manutenção → criticidade do item nunca foi avaliada (interface PM). Causa raiz 2: dosagem alta → alvo de peso 'de segurança' → padrão de setup anterior à balança automática → padrão nunca revisado após a mudança de tecnologia. Juntas explicam a concentração nos bicos 5–8 e nos pós-troca — consistência fechada.
Executar
Time treinado antes, vedações novas, setup com ajuste fino por bico e novo alvo definido por teste prático: o bloqueio na origem, com cada desvio anotado.
A execução seguiu a ordem que bloqueia a causa: primeiro o treinamento dos operadores dos turnos 1 e 2 no novo padrão de setup (OJT no posto, antes de qualquer mudança na máquina), depois a intervenção — vedações dos bicos 5 a 8 trocadas (R$ 3,2 mil), setup revisado com ajuste fino de peso por bico e testes práticos definindo o novo alvo de dosagem (R$ 1,5 mil). Com as contramedidas ativas, o piloto rodou 2 semanas nos turnos 1 e 2, com a folha de verificação mantida como KAI. Um desvio de percurso tratado e incorporado ao padrão. Investimento realizado: R$ 15,1 mil dos R$ 25 mil aprovados.
D1 Quais contramedidas bloqueiam cada causa comprovada? (5W2H)
O 5W2H fechou 7 contramedidas, cada uma contra a causa comprovada: trocar as vedações dos bicos 5–8 (bloqueia a deriva na origem — R$ 3,2 mil), revisar o padrão de setup com ajuste fino por bico e definir o novo alvo por teste prático (bloqueia a superdosagem — R$ 1,5 mil), carta de controle por bico na balança (R$ 8 mil), treinamento dos 3 turnos (R$ 2,4 mil) e a troca trimestral de vedações no plano de manutenção (interface PM). Riscos avaliados: subpeso (mitigado pela conferência de 20 pacotes/bico pós-troca) e perda de ritmo (não ocorreu).
D2 Como o kaizen foi executado — datas reais, evidências e ferramentas do pilar aplicadas?
Executei com as ferramentas do FI: as vedações foram trocadas pela manutenção em 20/10, o setup revisado entrou com ajuste fino de peso por bico e os testes práticos de dosagem cravaram o novo alvo. O piloto de 2 semanas rodou nos turnos 1 e 2 (26/10 a 08/11) com a folha de verificação de ajustes manuais mantida — ela virou o KAI que prova o bloqueio em tempo real. Gasto: R$ 15,1 mil.
D3 Como o time foi comunicado e treinado ANTES de virar a chave? (OPL/OJT)
Treinamento ANTES de virar a chave: operadores dos turnos 1 e 2 treinados por OJT no próprio posto no novo padrão de setup, com lista de presença; OPL do ajuste fino por bico fixada na envasadora. A mudança foi comunicada na reunião diária da linha; o 3º turno completa o OJT em dez/2026 junto com a entrada do padrão no quadro de gestão à vista.
D4 Quais desvios do plano ocorreram — e o que foi decidido em cada um?
Um desvio registrado: a conferência de pesos pós-troca começou com amostra pequena demais e não capturava a estabilização do início de produção — calibramos para 20 pacotes por bico na balança automática, e o número acabou incorporado ao padrão. Nenhum outro desvio de prazo, custo ou escopo.
D5 O Major Kaizen está atualizado com a execução completa?
Major Kaizen atualizado: 5W2H com datas reais, fotos das vedações antes/depois, ordens de manutenção com componente e causa registrados, listas de OJT, folha de verificação do piloto completa e os dados da balança automática (100% dos pacotes) prontos pra comparação na mesma régua.
Checar
Na régua da balança automática: sobrepeso de 3,4% para 1,6% em 2 semanas, saving de R$ 826 mil/ano na Matriz F e B/C real de 13,8 — sem um único subpeso.
A verificação usou exatamente a régua da Matriz C: sobrepeso percentual pela balança automática. O piloto derrubou o indicador de 3,4% para 1,6% (−53%), sem nenhuma ocorrência de subpeso e com produtividade preservada. A prova do bloqueio está no onde: a melhora se concentrou nos bicos 5 a 8 e nas horas pós-troca — exatamente os pontos das causas comprovadas — e os ajustes manuais por deriva praticamente desapareceram da folha de verificação. Saving validado na Matriz F com o Financeiro: R$ 826 mil/ano em produto recuperado, contra custo total de R$ 60 mil — B/C real 13,8, payback de 1 mês.
C1 Comparando antes × depois na mesma régua: qual foi o resultado? (KPI + KAI)
Antes × depois na mesma régua: mesma balança, mesmo indicador, mesma apuração. Sobrepeso médio de 3,4% (baseline 18 meses) para 1,6% no piloto (−53%), sem subpeso e sem perda de ritmo. KAI: ajustes manuais por deriva caíram de 92 ocorrências/mês para 6, e 100% dos setups do piloto saíram no novo padrão.
C2 Qual o saving validado (Matriz F) — e qual o B/C real do projeto?
Saving validado na Matriz F na MESMA régua da valorização: 1,8 ponto percentual recuperado sobre 420 t/mês ≈ R$ 69 mil/mês → R$ 826 mil/ano em produto recuperado, validado com o Financeiro. Custo total realizado: R$ 60 mil (R$ 15,1 mil de investimento + horas da equipe e treinamentos). B/C real = 13,8.
C3 O resultado sustentou ao longo do monitoramento — e o que você faria se não sustentasse?
O resultado sustentou nas 2 semanas de piloto e nas 3 seguintes de acompanhamento, incluindo 6 trocas de produto — o momento crítico da causa 2 — sem retorno do patamar antigo em nenhum bico. Os 0,2 p.p. até a meta de 1,4% dependem da carta de controle por bico e do OJT do 3º turno (dez/2026). Se o sobrepeso voltasse, o caminho seria reobservar no 5G — não apertar o alvo no grito.
C4 Houve efeitos secundários — em segurança, qualidade ou outras perdas?
Efeitos secundários: zero subpeso (a restrição QC inegociável) e produtividade igual — os dois riscos mapeados. Positivos: os operadores pararam de perder tempo com correções manuais, o início de produção pós-troca ficou previsível e a folha de verificação virou prática permanente da linha. Nenhuma outra perda da Matriz A piorou.
Agir
SOP publicado, OJT nos 3 turnos, troca trimestral de vedações no plano PM e carta por bico no pillar board — com a réplica das linhas 01 e 03 contratada.
O novo jeito virou padrão: o SOP-ENV-012 registra o setup com ajuste fino por bico, o novo alvo de dosagem e a conferência de 20 pacotes por bico pós-troca; a troca das vedações virou tarefa trimestral no plano de manutenção — o furo que deixou a causa nascer foi corrigido na origem (interface PM). OJT com registro assinado nos turnos 1 e 2, 3º turno em dez/2026. O pillar board da linha acompanha o sobrepeso por bico em carta de controle com plano de reação. E a expansão horizontal está contratada: as linhas 01 e 03, com envasadoras do mesmo fabricante, recebem o pacote em jan/2027 — benefício adicional estimado de R$ 490 mil/ano.
A1 Que padrão foi criado ou revisado? (SOP/OPL com número, versão e data)
Publicado o SOP-ENV-012 v1: setup revisado com ajuste fino de peso por bico, novo alvo de dosagem definido por teste prático e conferência obrigatória de 20 pacotes por bico após cada troca. Revisado o plano de manutenção preventiva: troca trimestral das vedações dos bicos com registro por componente — a causa 1 bloqueada em nível de sistema, não de evento.
A2 Quem foi treinado no padrão — e como fica quem chegar depois? (OJT)
OJT no posto com os operadores dos turnos 1 e 2 durante o piloto (listas assinadas) e 3º turno em dez/2026; a OPL do ajuste fino ficou no ponto de uso. O padrão entrou na matriz de habilidades da linha e na integração de novos operadores — ninguém assume a envasadora sem o OJT do SOP-ENV-012.
A3 Como fica a gestão à vista que segura o ganho? (pillar board: item de controle + plano de reação)
Pillar board da linha 02: carta de controle de sobrepeso por bico alimentada pela balança automática (meta ≤ 1,4%, alerta em 1,8%), com os KAIs — setups no padrão e ajustes manuais/semana. Plano de reação: alarme dispara verificação do bico sinalizado (vedação + ajuste), registro na folha de verificação e, persistindo 1 semana, escalonamento à supervisão com EWO aberto. Revisão mensal na rotina do pilar FI.
A4 Onde mais a solução se aplica — e qual o plano de expansão horizontal?
Expansão horizontal contratada: linhas 01 e 03 (envasadoras do mesmo fabricante, mesma troca de formato) recebem vedações novas, SOP adaptado e carta por bico em jan/2027, com os operadores do piloto como multiplicadores — benefício adicional estimado de R$ 490 mil/ano na Matriz F. O quadro de setup padronizado também foi compartilhado com a planta de salgadinhos via yokoten.
A5 Quais as lições aprendidas, as perdas remanescentes e o próximo ataque indicado pelo CD?
Lições: a média geral escondia a anomalia de 4 bicos específicos; padrão de setup defasado gera perda crônica invisível; e componente sem plano de manutenção não protege o processo. Sobre o método: testar hipóteses com dados evitou gastar com climatização e classificação de massa — as explicações 'óbvias' que estavam erradas. Remanescente na Matriz C: a variação de densidade entre lotes (13,1% das ocorrências) — alvo recomendado do próximo kaizen, já com B/C preliminar de 3,4. Major Kaizen arquivado no acervo do pilar.
Ancorado no pilar de Focused Improvement e conduzido como Major Kaizen, o projeto atacou a maior perda da Matriz C da área: 14,3 t/mês de biscoito entregues de graça (sobrepeso de 3,4%), perda anual de R$ 1,4 milhão. Com as duas causas raiz comprovadas no Genba — vedações desgastadas dos bicos 5 a 8 e padrão de setup defasado — e bloqueadas na origem, o piloto de 2 semanas derrubou o sobrepeso para 1,6%, sem nenhum subpeso e com produtividade mantida. O saving validado na Matriz F é de R$ 826 mil/ano em produto recuperado, contra custo total de R$ 60 mil — B/C real de 13,8. O padrão virou SOP com troca trimestral de vedações no plano de manutenção (interface PM) e a réplica nas linhas 01 e 03 está no cronograma de jan/2027. (projeto ilustrativo)
Pronto pra resolver o problema crônico da sua área?
Use este case como referência de profundidade — quantifique o problema, prove a causa raiz com dados, verifique o bloqueio na mesma métrica e padronize pra ele não voltar.
