Problema crônico não escolhe setor.
Onde existe processo e indicador, o WCM resolve — desperdício na produção, parada de máquina, retrabalho, atraso de entrega, fila, glosa. Veja o mesmo método aplicado em setores diferentes, cada projeto com seu Major Kaizen fechado.
Redução do retrabalho na linha de montagem
Produção · Montagem final · Mar/2026 – Jun/2026 · Pilar QC — Controle de Qualidade · Major Kaizen
Planejar
A Matriz C valorizou o retrabalho em R$ 168 mil/ano, a estratificação apontou o parafuso frouxo do 2º turno e a causa foi comprovada com medição de torque no Genba — não votada em sala.
A Matriz A da montagem final mapeou quatro perdas — retrabalho, refugo, hora extra e pequenas paradas — e a Matriz C valorizou a maior delas: o retrabalho, rondando 12% das unidades desde a troca do fornecedor de parafusos em jan/2026, custava R$ 14 mil/mês (R$ 168 mil/ano) entre horas de recuperação, refugo e hora extra. A estratificação da folha de verificação apontou ~70% dos retrabalhos em parafuso frouxo, concentrados no 2º turno, e a Matriz D indicou Major Kaizen no pilar de Controle de Qualidade, com B/C estimado de 8,2 na Matriz E. O 5G no posto de fixação revelou o que o apontamento não mostrava: aperto sem torque-alvo, parafusadeira do 2º turno descalibrada e lote de parafusos com cabeça fora de tolerância. As hipóteses 4M foram testadas com dados — a medição achou ~30% das fixações abaixo do torque mínimo, e a hipótese de falta de treinamento caiu no teste com montadores experientes. Meta: de 12% para 5% até 30/jun/2026. (projeto ilustrativo)
P1 Qual perda este projeto ataca — e onde ela aparece no mapa de perdas da área? (Matriz A)
A Matriz A da montagem final mapeou quatro perdas por processo: retrabalho no posto de fixação, refugo de componentes, hora extra pra recuperar o programa e pequenas paradas. A perda atacada é o retrabalho por defeito de fixação — 12% das unidades produzidas (média de 6 meses), contra referência interna de 5%, num salto que coincide com a troca do fornecedor de parafusos em jan/2026.
P2 Quanto essa perda custa por ano? (Matriz C — valorização)
Valorizei o retrabalho na Matriz C com memória de cálculo validada pela Controladoria: horas de retrabalho (2 montadores dedicados × custo-hora), refugo de componentes danificados na desmontagem e hora extra pra repor o programa. Total: R$ 14 mil/mês → R$ 168 mil/ano. É a maior perda da montagem final e a régua que vai medir o ganho no fim do projeto.
P3 A perda é causal ou resultante? De onde ela vem — ou o que ela gera? (Matriz B)
Na Matriz B o retrabalho é perda resultante. As perdas causais associadas são a condição de máquina não mantida (parafusadeira fora de calibração — interface com o pilar PM) e a qualidade do componente comprado (lote com cabeça fora de tolerância, sem inspeção de recebimento). Por isso o ataque mira as causais, não o sintoma.
P4 Onde, quando e como a perda se concentra? (estratificação + Pareto)
Estratifiquei 3 meses de folha de verificação por tipo de defeito, turno e posto: 70% dos retrabalhos eram parafuso frouxo, 15% encaixe incorreto, 9% acabamento riscado. O parafuso frouxo concentra no 2º turno e no posto de fixação. Pareto anexado — o alvo do projeto é essa fatia.
P5 Que método a perda pede: Quick, Standard, Major ou Advanced Kaizen? (Matriz D)
Pela Matriz D, é uma perda crônica e multicausal (máquina + material + método), cruzando qualidade e manutenção: pede Major Kaizen com equipe multifuncional no pilar QC. Não é Quick (a causa não era única nem evidente) e não é Advanced (o fenômeno se prova com medição direta de torque, sem modelagem estatística).
P6 Qual o B/C estimado do projeto — e por que ele vence os concorrentes? (Matriz E)
Na Matriz E, o benefício estimado de levar o índice de 12% a 5% é de ~R$ 98 mil/ano, contra custo estimado de R$ 12 mil (calibração, trava de torque, horas da equipe): B/C estimado de 8,2 — primeiro da carteira da montagem, à frente do kaizen do encaixe incorreto (B/C 3,4).
P7 Qual é o tema e a meta do projeto? (objetivo + valor + prazo, na régua da perda)
Tema: reduzir o retrabalho por defeito de fixação na montagem final. Meta: de 12% para 5% das unidades até 30/06/2026, medida na mesma folha de verificação da valorização. KPI: % de unidades retrabalhadas (e o refugo como indicador de apoio). KAI: % de parafusadeiras dentro do plano de calibração e auditorias de torque realizadas por semana.
P8 Qual é o pilar âncora do projeto — e quais as interfaces com outros pilares?
Pilar âncora: Controle de Qualidade — o projeto exercita a Matriz QA (defeito × posto gerador), a QA Network (mover a detecção da inspeção final pra fonte) e o poka-yoke. Interfaces declaradas: PM (plano de calibração da parafusadeira é condição de máquina) e PD (habilidade de aperto entrou na matriz de competências do posto).
P9 Quem participa do projeto — papéis, patrocinador e cronograma por fases?
Equipe: eu como líder da montagem final, um inspetor da qualidade, um técnico da manutenção e um montador de cada turno. Patrocinador: gerente industrial, dono do pilar QC na planta. Cronograma: P até 20/04, D até 25/05 (piloto no 2º turno), C até 15/06, A até 30/06 — com revisão semanal no quadro do pilar.
P10 O que o 5G revelou no Genba que os dados não mostravam?
O 5G no posto de fixação mostrou o que o banco de dados escondia: o aperto era feito 'no sentimento', sem torque-alvo exposto; a parafusadeira do 2º turno estava visivelmente fora do padrão das demais; e, no genbutsu, o paquímetro flagrou o lote de parafusos com cabeça fora de tolerância. Fotos, vídeo do aperto e as medições foram anexados.
P11 Quais causas foram levantadas (4M/Ishikawa) — e como cada hipótese foi testada com dados?
Ishikawa 4M com a equipe: Máquina (calibração da parafusadeira), Material (lote fora de spec), Método (sem torque-alvo definido) e Mão de obra (treinamento). Testes: torque medido em 120 fixações — ~30% abaixo do mínimo, concentradas no 2º turno (confirma Máquina/Método); medição do lote confirma Material; montadores experientes reproduziram o defeito com a mesma parafusadeira (descarta Mão de obra — e evitou treinarmos o alvo errado).
P12 Qual é a causa raiz comprovada — e qual a evidência final? (5 porquês ou PPA)
Cadeia 1 (5 porquês): parafuso frouxo → torque abaixo do mínimo → parafusadeira descalibrada → equipamento fora do plano de calibração → posto nunca entrou no plano de manutenção (causa raiz 1, interface PM). Cadeia 2: cabeça fora de tolerância → lote aprovado sem verificação → item não classificado como crítico no recebimento (causa raiz 2). As duas fecham a Matriz QA e explicam toda a estratificação — inclusive a concentração no 2º turno.
Executar
Treinamento antes de virar a chave e contramedida na fonte: plano de calibração, trava de torque (poka-yoke) e inspeção de recebimento entraram num piloto de 2 semanas no 2º turno.
A execução começou por onde a causa morava: um piloto de 2 semanas no 2º turno. Antes de qualquer mudança, os montadores do turno passaram por OJT no novo padrão de aperto com torque-alvo — OPL publicada no posto e presença registrada. A manutenção implantou o plano de calibração e instalou a trava de torque na parafusadeira (poka-yoke: contramedida na fonte, não inspeção no fim), enquanto a qualidade ativou a inspeção de recebimento e devolveu ao fornecedor o lote com cabeça fora de tolerância — a QA Network movendo a detecção da inspeção final pra origem. Um desvio foi tratado no percurso: a trava precisou de regulagem fina pro torque-alvo, feita pela manutenção sem parar a linha e registrada em ata. Com o piloto validado (retrabalho em 5,2%), as contramedidas foram estendidas aos demais turnos, tudo documentado no Major Kaizen.
D1 Quais contramedidas bloqueiam cada causa comprovada? (5W2H)
O 5W2H saiu com 4 contramedidas, cada uma amarrada à causa que bloqueia: plano de calibração da parafusadeira + trava de torque (causa 1 — condição de máquina); torque-alvo formalizado no padrão de aperto (causa 1 — método); inspeção de recebimento do parafuso com critério de tolerância e devolução do lote não conforme (causa 2); treinamento OJT dos montadores. Investimento: R$ 12 mil, com dono e prazo por ação.
D2 Como o kaizen foi executado — datas reais, evidências e ferramentas do pilar aplicadas?
Executei em piloto de 2 semanas no 2º turno, onde a perda concentrava: calibração feita e trava de torque instalada em 05/05 (foto anexada), torque-alvo exposto no posto, inspeção de recebimento ativa desde 02/05 com o lote não conforme devolvido ao fornecedor. As ferramentas do pilar QC guiaram a execução: QA Network reposicionando a detecção pra fonte e poka-yoke impedindo o aperto fora do torque. Piloto validado com 5,2% → contramedidas estendidas aos 3 turnos em 19/05.
D3 Como o time foi comunicado e treinado ANTES de virar a chave? (OPL/OJT)
Ninguém virou chave sem treinar: OPL do aperto com torque-alvo publicada no posto e OJT com os montadores do 2º turno ANTES do piloto (28–30/04), depois com os demais turnos antes da expansão — presença assinada e avaliação prática de aperto. A expedição e o recebimento foram comunicados formalmente das mudanças.
D4 Quais desvios do plano ocorreram — e o que foi decidido em cada um?
Um desvio registrado: a trava de torque saiu de fábrica com faixa mais larga que o torque-alvo e precisou de regulagem fina — a manutenção ajustou sem parar a linha, com o ajuste documentado em ata de 07/05. Nenhuma outra ação desviou de prazo ou escopo.
D5 O Major Kaizen está atualizado com a execução completa?
O Major Kaizen está atualizado com a fase completa: fotos do antes/depois do posto, medições de torque pré e pós-calibração, registro da devolução do lote, OPL, listas de OJT e o 5W2H com status e datas reais. É o dossiê que sustenta a verificação.
Checar
Na mesma régua da Matriz C: retrabalho de 12% para 4,3%, saving de R$ 108 mil/ano validado na Matriz F e B/C real de 9,0.
A verificação usou o mesmo item de controle e a mesma folha de verificação da valorização — régua trocada não prova nada. No piloto o retrabalho já havia caído de 12% para 5,2%; com as contramedidas nos 3 turnos, fechou em 4,3%: meta de 5% batida e superada. O KAI explica o resultado: 100% das parafusadeiras dentro do plano de calibração e auditorias semanais de torque sem desvio. O saving foi validado com a Controladoria na régua da Matriz C — R$ 9 mil/mês ≈ R$ 108 mil/ano na Matriz F — contra custo total de R$ 12 mil: B/C real de 9,0. Oito semanas de monitoramento seguraram o índice em ~4,5%, sem recorrência do defeito bloqueado, e o refugo caiu junto, sem nenhum efeito colateral no ritmo da linha.
C1 Comparando antes × depois na mesma régua: qual foi o resultado? (KPI + KAI)
KPI na mesma régua e mesmo formato de gráfico do início: retrabalho de 12% para 4,3% das unidades (piloto: 5,2%), meta de 5% superada. KAI acompanhando: 100% das parafusadeiras no plano de calibração e 8/8 auditorias semanais de torque conformes — é o que explica de onde veio o resultado.
C2 Qual o saving validado (Matriz F) — e qual o B/C real do projeto?
Saving validado na Matriz F com a Controladoria, na MESMA régua da Matriz C: R$ 9 mil/mês recuperados ≈ R$ 108 mil/ano. Custo total realizado do projeto: R$ 12 mil (calibração, trava, horas da equipe). B/C real = 9,0 — acima do 8,2 estimado na Matriz E.
C3 O resultado sustentou ao longo do monitoramento — e o que você faria se não sustentasse?
Monitorei 8 semanas após a expansão, cobrindo 2 trocas de lote de parafusos: índice estável em ~4,5%, sem nenhuma semana acima de 5%. Se o patamar voltasse a subir, o caminho seria voltar ao 5G no posto — causa mal identificada não se resolve com mais ação, se resolve com mais observação.
C4 Houve efeitos secundários — em segurança, qualidade ou outras perdas?
Efeitos secundários checados: o refugo de componentes caiu junto (a desmontagem de retrabalho danificava peças) e a hora extra do fim de mês sumiu. Nenhum impacto no tempo de ciclo do posto nem em segurança — a trava de torque não alterou a ergonomia do aperto.
Agir
SOP com torque-alvo, OJT nos 3 turnos, carta de controle com limite de reação — e o padrão replicado pra linha 2: ganho seguro é padrão, ganho completo é expansão.
Pra o ganho não escorregar de volta, a padronização fechou o ciclo: SOP de aperto publicado com torque-alvo e trava configurada (algo que nunca existira formalizado) e instrução de inspeção de recebimento do parafuso, ambos com número, versão e data. Os montadores dos 3 turnos foram treinados no padrão via OJT, com registro arquivado e o tema incluído na integração de novos. O quadro do pilar ganhou a carta de controle diária do retrabalho com limite de reação em 6% — passou disso, a regra é parar, recalibrar e checar o lote. E o WCM não deixa a solução presa na área modelo: o padrão de calibração com trava foi replicado pra linha 2, que usa o mesmo modelo de parafusadeira, com benefício adicional estimado de R$ 60 mil/ano. Remanescente na Matriz C: o encaixe incorreto (2º do Pareto), recomendado como próximo kaizen.
A1 Que padrão foi criado ou revisado? (SOP/OPL com número, versão e data)
Publiquei o SOP-MON-011 v1 (aperto com torque-alvo e trava configurada — antes o aperto não tinha padrão formalizado) e a IT-QUA-007 v1 (inspeção de recebimento de parafusos, com critério de tolerância e regra de devolução). Ambos com número, versão e data de 20/06/2026, expostos no posto.
A2 Quem foi treinado no padrão — e como fica quem chegar depois? (OJT)
OJT nos 3 turnos com avaliação prática de aperto (14 montadores, registros assinados). O padrão entrou na matriz de habilidades do posto de fixação e no roteiro de integração de novos montadores — interface com o pilar de Desenvolvimento de Pessoas pra ninguém chegar sem passar pelo torque-alvo.
A3 Como fica a gestão à vista que segura o ganho? (pillar board: item de controle + plano de reação)
O quadro do pilar QC da montagem ganhou a carta de controle diária do retrabalho, com limite de reação em 6%, ao lado dos KAIs (calibração no plano e auditoria semanal de torque). Plano de reação: acima de 6%, parar o posto, recalibrar a parafusadeira e verificar o lote em uso — dono: líder do turno, com reporte ao dono do pilar na reunião semanal.
A4 Onde mais a solução se aplica — e qual o plano de expansão horizontal?
Expansão horizontal mapeada e iniciada: a linha 2 usa o mesmo modelo de parafusadeira e recebeu o plano de calibração, a trava e o SOP adaptado em jul/2026, com os montadores da linha 1 como multiplicadores no OJT. Benefício adicional estimado: R$ 60 mil/ano, já lançado na carteira da Matriz E da planta.
A5 Quais as lições aprendidas, as perdas remanescentes e o próximo ataque indicado pelo CD?
Lições: a medição de torque no Genba derrubou a hipótese 'óbvia' de falta de treinamento e evitou gastar energia no alvo errado; e defeito de componente comprado se bloqueia no recebimento, não na linha. Remanescentes na Matriz C: encaixe incorreto (15% do Pareto) — recomendado como próximo kaizen — e o refugo residual. Major Kaizen arquivado no acervo do pilar QC.
Ancorado no pilar de Controle de Qualidade e conduzido como Major Kaizen, o projeto atacou a maior perda da montagem final apontada pela Matriz C — o retrabalho por defeito de fixação, valorizado em R$ 168 mil anuais. Com a causa comprovada no Genba e bloqueada na fonte (plano de calibração, trava de torque e inspeção de recebimento), o índice caiu de 12% para 4,3% das unidades, superando a meta de 5%. O saving validado na Matriz F é de R$ 108 mil/ano, com B/C real de 9,0. Após 8 semanas o item de controle seguia estável em ~4,5%, sem recorrência do defeito bloqueado, e o padrão de calibração com trava já foi replicado para a linha 2, com benefício adicional estimado de R$ 60 mil/ano. (projeto ilustrativo)
Pronto pra resolver o problema crônico da sua área?
Use este case como referência de profundidade — quantifique o problema, prove a causa raiz com dados, verifique o bloqueio na mesma métrica e padronize pra ele não voltar.
